Estudo de estabilidade de medicamentos: fatores que influenciam

Não se engane: o estudo de estabilidade de medicamentos é um passo importante na busca por mais qualidade nos produtos. Isso porque a estabilidade dos fármacos consiste na conservação de suas propriedades, o que assegura aos usuários os efeitos desejados e esperados, a partir da formulação do produto.

Por isso, a importância de um estudo de estabilidade de medicamentos. Por meio dessa atividade, os profissionais do seu laboratório identificam o que interfere na conservação, quais são as boas práticas para manter o produto com sua eficácia garantida e a validade dos medicamentos.

Não se trata apenas de valorizar a saúde e o bem-estar do consumidor. Esse direito já está devidamente sacramentado por meio de uma série de exigências e restrições feitas por órgãos reguladores — inclusive recentes, como veremos nas mudanças efetuadas na resolução da Anvisa RDC 113/16.

Qual é a relevância de um estudo de estabilidade de medicamentos e os fatores que mais influenciam em suas características? Continue conosco nesta leitura e descubra!

O que é a estabilidade de medicamentos?

Como adiantamos no início do artigo, o estudo de estabilidade de medicamentos nada mais é do que o cuidado com todas as propriedades do produto, como:

  • as propriedades físicas do medicamento;
  • as propriedades químicas;
  • as propriedades terapêuticas;
  • as propriedades toxicológicas;
  • e as propriedades microbiológicas do medicamento.

Isso se traduz, tanto nas características originais, durante a sua produção, quanto no modelo de estocagem e de uso do paciente. Em outras palavras: a estabilidade de medicamento é a representação do seu período de validade e os cuidados a serem tomados para mantê-la.

Mas, para que possamos entender em sua totalidade o conceito de estabilidade, que tal compreendermos, a princípio, o que é a instabilidade nessa mesma situação? Praticamente, toda e qualquer substância química sofre alterações devido às suas características físico-químicas ou a partir de uma interação com o meio ambiente.

Isso não é diferente com os medicamentos: eles perdem suas características originais ao longo do tempo. Há alguns que são mais “frágeis” — caso da insulina injetável — e perdem as suas características rapidamente. Outros, por sua vez, têm a capacidade de mantê-las por décadas.

Por isso, é essencial saber por quanto tempo o medicamente será estável — ou seja: por quanto tempo durarão as mesmas propriedades que ele tinha quando foi fabricado. Com isso, saberemos qual o prazo em que ele terá efeitos terapêuticos seguros.

Por que é importante conhecer o prazo de validade de medicamentos?

É a partir do conhecimento do período em que um medicamento é estável que conseguimos calcular o seu prazo de validade. Ele é o período em que o fármaco mantém suas propriedades farmacológicas e se conserva em estado de segurança para o consumo. Para isso, precisamos saber os seguintes dados:

  • o período em que o teor do fármaco fica abaixo de 95%. Logo após a conclusão da fabricação, o medicamento já começa a sofrer alterações, mas muitas delas são progressivamente lentas e só começam a preocupar quando estão acima de 5%. Por isso, uma formulação é considerada viável enquanto mantiver o princípio ativo em níveis superiores a 95%;
  • a carga microbiana também importa. O analista laboratorial deve ficar de olho nesse aspecto, pois ela, além de causar doenças, pode acelerar a degradação. Quando os níveis microbianos se tornam muito elevados, o medicamente deixa de ser estável;
  • Compostos de decomposição, pois quando os medicamentos se degradam, eles formam novas substâncias. Alguns compostos de decomposição são tóxicos, de modo que, quando atingem níveis elevados, podem causar prejuízos à saúde do consumidor.

Com base nisso, podemos tomar como informação imprescindível que o estudo de estabilidade de medicamentos deve passar por diversos aspectos, de forma a identificar quais fatores mais influenciam a mudança de suas características. Algo que veremos logo a seguir!

Fatores que influenciam o estudo de estabilidade de medicamentos

Abaixo, confira dois aspectos que podem influenciar na mudança de propriedades de um medicamento:

1. Agentes externos

Também conhecidos como fatores extrínsecos, são os fatores que — direta ou indiretamente — atuam na instabilidade das propriedades de medicamentos, podendo ocorrer tanto ao longo do seu transporte quanto no momento de armazenamento ou de uso pelo paciente. São eles:

  • temperatura: responsável diretamente pelas alterações e deteriorações de um medicamento. Quando elevada, a temperatura pode acelerar ou estimular reações químicas no produto. Por isso, recomenda-se o armazenamento em locais ventilados, à temperatura ambiente;
  • luz: a incidência direta de luz faz parte do estudo de estabilidade de medicamentos, pois também pode acelerar a velocidade de reações químicas. Daí a relevância em evitar essa exposição direta;
  • microrganismos e poeiras: também interferem nas propriedades originais do fármaco quando em contato prolongado com o mesmo.

2. Agentes internos

São todos os agentes intrínsecos que podem contribuir com reações químicas no medicamento. Casos de:

  • reações de decomposição influenciadas por motivos diversos;
  • interações com o acondicionamento do fármaco;
  • carga microbiana;
  • erros na formulação do produto;
  • sistema conservante ineficaz.

A RDC 113/16 ANVISA e o estudo de estabilidade de medicamentos

Com as alterações na RDC 113/16 em vigor, é importante que os profissionais de laboratórios entendam o que foi mudado na legislação. Confira, com base na nova resolução de 15 de setembro de 2016:

Art. 29. Parágrafo único

“Quando a alteração ou inclusão de local de fabricação não resultar em alteração de processo produtivo e de equipamentos, ou resultar em alteração menor do processo produtivo ou resultar na alteração ou inclusão de equipamento com mesmo desenho e princípio de funcionamento ou em alteração do equipamento de desenho misturador V ou Bin ou vice-versa, o ‘Relatório de estudo de estabilidade referente a 1(um) lote do produto acabado’ poderá ser substituído pelo protocolo de estudo de estabilidade referente aos 3(três) lotes iniciais, desde que a empresa peticione concomitantemente resultados de estudos de acompanhamento ou de longa duração realizados para referido produto no local de fabricação anterior.”

Art. 2° — item 3.4

“Para os medicamentos específicos cuja concentração do princípio ativo esteja na ordem de dosagem abaixo de 0.99 miligramas por unidade posológica, não serão permitidos lotes pilotos com quantitativos diferentes dos lotes industriais”.

3.4-b

“Para medicamentos novos, similares e genéricos cuja concentração do princípio ativo em relação à fórmula seja inferior a 2% (dois por cento), não serão permitidos lotes pilotos com quantitativos diferentes dos lotes industriais.” Art. 3° Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação”.

O uso da tecnologia para o aperfeiçoamento do seu trabalho

Não é de hoje que podemos contar com soluções tecnológicas capazes de assegurar a qualidade do nosso trabalho desenvolvido. No entanto, a cada dia essas ferramentas são aperfeiçoadas, personalizadas para garantir que tenhamos todas as nossas necessidades supridas.

No caso do estudo de estabilidade de medicamentos, é possível — e muito indicado — fazer uso do LIMS em algumas situações. Por exemplo: para se amparar contra qualquer questão relativa à validade dos mesmos.

Isso porque todos esses processos já estão devidamente desenhados, validados e homologados de acordo com as principais normas de estabilidade. Tudo fica registrado no sistema do LIMS, permitindo à sua equipe um monitoramento mais confiável e preciso de todos os estudos pertinentes ao processo de estabilidade.

Para saber um pouco mais a respeito da versatilidade profissional do LIMS e a facilidade com a qual ele promove o estudo de estabilidade de medicamentos, tire suas dúvidas com um de nossos especialistas!

No mais, você acha que deu para entender o que é o estudo de estabilidade de medicamentos, quais são os fatores que influenciam na alteração de suas propriedades e quais são as mudanças decorrentes nesse processo por conta das mudanças realizadas na RDC 113/16? Quer manter os seus conhecimentos atualizados a respeito desse assunto e de outros que, direta ou indiretamente, influenciam na qualidade do seu ambiente de trabalho? Então, assine a nossa newsletter — para isso, preencha o seu endereço de e-mail no canto superior direito do nosso blog — e receba todas as nossas dicas e novidades em primeira mão!

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