Como elaborar um mapa de risco em laboratório?

Dentre todas as práticas de segurança adotadas em um laboratório, uma das mais importantes é, sem dúvidas, a elaboração de um mapa de risco. Com ele, é possível prever desvios e identificar oportunidades de melhoria na segurança da empresa e, consequentemente, dos profissionais.

Na criação de um mapa de risco em laboratório, são levados em consideração os riscos ambientais, organizacionais, biológicos, mecânicos, físicos e químicos que, se não corrigidos, podem provocar desde acidentes leves até outros mais graves ou, até mesmo, fatais.

Siga a leitura do artigo e entenda mais sobre o mapa de risco em laboratório e como ele pode melhorar a segurança dos seus profissionais e da sua empresa!

Afinal, o que é e quando surgiu o “Mapa de risco”?

No início do século XX, com o crescimento da industrialização no Brasil, aumentou-se também a preocupação com a saúde e segurança no trabalho. Entre os anos 1920 e 1940, surgiram as primeiras Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA), que tinham como objetivo a identificação e extinção dos riscos do trabalho.

Essa movimentação seguiu por vários países ao redor do mundo, como um reflexo do aumento do número de empresas e consequentemente, do registro de acidentes em decorrência de más condições de trabalho. Em alguns lugares, os trabalhadores acidentados representavam mais de 10% do total de operários.

Seguindo essa tendência, no fim da década de 1960, em resposta à grande quantidade de acidentes que passaram a acontecer nas indústrias locais, os trabalhadores italianos se organizaram e buscaram apoio junto a sindicatos, que se uniram no desenvolvimento de medidas de proteção dos operários, de olho em condições de trabalho mais seguras.

O resultado dessa união veio no início dos anos 1970, com a criação do “Modelo Italiano”, que tinha como objetivo envolver os trabalhadores na elaboração de ações voltadas para a segurança no trabalho. Assim, surgiu a proposta de um mapa que indicaria a intensidade de todos os riscos existentes na empresa, do mais leve ao mais grave.

No Brasil, o mapa de risco foi regulamentado por meio da Portaria nº 5, de 17 de agosto de 1992, ligada ao Departamento Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho. Na portaria, é definida como obrigatória a criação do mapa por todas as empresas que possuem CIPA.

Desenvolvido em conjunto entre a CIPA e os profissionais que atuam no local e, quando houver, com o apoio do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), o mapa de risco em laboratório apresenta graficamente, por meio de uma planta baixa, os riscos de acidentes existentes no espaço.

O mapa de risco em laboratório deve ser fixado em locais visíveis, para que os trabalhadores, ao circular pela área, tenham consciência sobre os riscos daquela região. A renovação do mapa deve ser feita a cada 12 meses, sempre que uma nova gestão da CIPA é escolhida.

O não cumprimento dessas determinações, da elaboração, fixação e renovação do mapa de risco, é passível de multas, conforme determina o Ministério do Trabalho, que define também graus de intensidade das infrações entre 1 e 4. O valor das multas também é calculado de acordo com essa escala.

Quais os benefícios do mapa de risco em laboratórios?

Trazer o mapa de risco para as rotinas do laboratório oferece vários benefícios para o trabalho, sendo a segurança o mais importante. Gestores e equipes vivenciam os ganhos do mapa de risco de maneiras distintas, mas que se completam e contribuem para impulsionar as atividades do laboratório.

Para os profissionais, os benefícios são vistos na forma de preservação da segurança e cuidado com a saúde, incluindo física e mental. Além disso, a exposição de um mecanismo como o mapa traz uma conscientização maior sobre os riscos identificados no local.

Já para os gestores, os ganhos com a adoção do mapa de risco em laboratório têm a ver com a produtividade da empresa, pois serão necessárias menos interrupções no fluxo de trabalho, menos manutenções corretivas e, consequentemente, o desperdício de insumos também cairá.

Como é feito o mapa de risco?

Representados por esquemas de círculos e cores, os riscos são divididos em cinco grupos de agentes, cada um com sua respectiva cor: Químicos (vermelho); Físicos (verde); Biológicos (marrom), Ergonômicos (amarelo) e Mecânicos (azul). Os círculos, por sua vez, são divididos em três tamanhos, de acordo com a intensidade do risco, seja pequeno, médio ou grande.

Sabendo disso, o responsável pelo mapeamento deverá percorrer todas as dependências da empresa e anotar o risco existente em todas as áreas. Nesse primeiro momento, o mais importante é o registro dos riscos; a classificação de cada um será feita em outra etapa.

Feito o mapeamento, é hora de classificar os riscos encontrados, tarefa de responsabilidade da CIPA, que avaliará o grau de cada risco, entre pequeno, médio ou grande, e identificará em qual grupo de agente ele se encaixa. No caso de haver mais de um risco de mesmo grau em um ambiente, estes podem ser representados em um único círculo (cada círculo pode conter até cinco riscos), com os nomes dos riscos indicados ao lado de cada cor.

Para os riscos de mesmo grau e mesmo grupo de agente, a representação será esquematizada em um único círculo, colorido com a respectiva cor, e os nomes dos riscos serão descritos em uma lista suspensa ao lado do círculo. No caso de existir um único risco para o local, este será representado em um único círculo, de uma única cor.

Os riscos descritos no mapa podem sofrer alterações ao longo do tempo – tudo depende das medidas de segurança no trabalho adotadas pelo laboratório. Por isso, é importante que gestores e profissionais desenvolvam ações que eliminem e, caso não seja possível, minimizem todos os riscos existentes no local.

Na leitura desse artigo, ficou mais fácil entender a relevância do mapa de risco em laboratórios, não é mesmo? A sua elaboração é muito vantajosa para toda a equipe, pois ela, além de ser a base de muitas ações realizadas no dia a dia de trabalho, contribui para ocasiões de auditoria e acreditação do laboratório.

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